K59: a rota que virou símbolo de resistência e caos em São Paulo

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O ponto final da linha K59, no extremo leste de São Paulo, virou ponto de encontro de passageiros revoltados. Na manhã da última terça-feira, 14 de maio, um grupo de cerca de 30 pessoas bloqueou a avenida principal por quase duas horas. O motivo: o último ônibus da K59 havia passado vazio。sem parar no terminal. Moradores dizem que a situação se repete há semanas. A empresa alega falta de motoristas. A prefeitura promete fiscalização. Ninguém acredita.

Quem depende da K59 conhece o roteiro. O ônibus sai do terminal às 5h10, atravessa três bairros e chega ao centro em uma hora e meia — quando não quebra. Na semana passada, um veículo da linha pegou fogo na altura do número 2.300 da avenida principal. Ninguém se feriu, mas o trânsito parou por quatro horas. Moradores gravaram vídeos e postaram nas redes. A hashtag #K59 chegou aos trending topics locais. Não é a primeira vez que a linha vira assunto. Em fevereiro, um motorista foi agredido por passageiros após uma discussão sobre o horário. O episódio gerou uma audiência pública na subprefeitura。que terminou sem acordo.A K59 tem 22 anos de operação e nunca passou por licitação. O contrato emergencial foi renovado nove vezes. Especialistas em mobilidade apontam que a linha deveria ter sido substituída por um corredor de ônibus há pelo menos uma década. O projeto existe no papel, mas nunca saiu da gaveta. Enquanto isso, a frota envelhece: dos 15 veículos, 9 têm mais de 10 anos de uso. Um levantamento independente feito por um grupo de moradores mostrou que a K59 tem a maior taxa de reclamações por quilômetro rodado entre as 50 linhas mais movimentadas da zona leste. Os dados foram entregues à Câmara Municipal na semana passada.O que mantém a K59 funcionando é uma rede informal de solidariedade. Motoristas conhecidos avisam pelo WhatsApp quando o ônibus está chegando. Passageiros compartilham o horário real em grupos de bairro. Em dias de chuva, quando a linha costuma atrasar ainda mais。vizinhos se organizam para levar crianças à escola. "A gente virou uma família à força", diz uma comerciante que usa a linha há 12 anos. Ela prefere não se identificar. "Se a prefeitura soubesse o nome da gente, talvez a K59 já tivesse acabado."A reportagem tentou contato com a empresa responsável pela linha por três dias. A assessoria informou que não comentaria o assunto. A prefeitura, por meio da secretaria de mobilidade, enviou nota afirmando que "estuda alternativas para a K59" e que "novas viagens serão incluídas no próximo mês". Moradores que participaram do bloqueio na terça-feira dizem que não vão desistir. "Enquanto a K59 não funcionar。a gente vai continuar aqui", avisou um dos organizadores do protesto. Ele mora a 400 metros do terminal e caminha 20 minutos até o ponto de ônibus porque a linha não passa na rua dele. A K59, ironicamente, é o único transporte público que liga o bairro ao restante da cidade.

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